Netinho: cantor baiano de axé morreu aos 60 anos após luta contra linfoma
O cantor Netinho, nome proeminente do axé music nos anos 1990, morreu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos. A informação foi confirmada por sua assessoria, que informou que o artista lutava contra um linfoma não Hodgkin do tipo B. A doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior em Santo Antônio de Jesus, na Bahia, Netinho iniciou sua carreira musical na Banda Beijo. Posteriormente, seguiu em carreira solo, alcançando projeção nacional com sucessos como "Milla", "Capricho dos Deuses" e "Menina". A música "Milla" se tornou um dos símbolos do axé e do Carnaval de Salvador.
Nos últimos meses, o artista enfrentou o tratamento oncológico com serenidade, segundo sua equipe. Em nota divulgada, a assessoria declarou que Netinho costumava falar sobre sua trajetória com gratidão, expressando que "partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte". A equipe informou ainda que, por desejo expresso do cantor, o velório e a cremação seriam realizados de forma reservada, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Declarações sobre sexualidade e vida pessoal
Em entrevista concedida à revista Quem em 2008, Netinho declarou ser bissexual. Na ocasião, ele afirmou gostar de "meninos e meninas", mas ponderou que, na época, preferia mulheres. "Eu me considero bissexual. Essa relação com um homem foi uma experiência que ficou no passado, linda, inclusive", disse o cantor.
Netinho detalhou ter vivido um relacionamento homoafetivo por três anos com um homem que não era famoso. Ele descreveu a experiência como "interessante" e parte de uma filosofia de vida. "É a filosofia de que devemos passar por tudo na vida. Deus é energia, quando a gente morre é escuro total. Morreu, acabou. A oportunidade é agora. Não dá para deixar nada para depois", refletiu na entrevista.
O artista também comentou sobre a dinâmica dos relacionamentos, afirmando que não chegaram a morar juntos, pois "não dá certo. Tem que ser cada um no seu canto. O mundo caminha para o individualismo".
Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Com ela, teve uma filha, Bruna Trindade, que hoje é médica. Após o fim do casamento, o cantor não teve outros relacionamentos públicos e, em 2020, declarou estar em abstinência sexual por opção desde 2016.
Envolvimento político e controvérsias
Netinho também se envolveu em discussões políticas e controvérsias. Em 2020, durante uma transmissão ao vivo com o então deputado Eduardo Bolsonaro, o cantor fez críticas à comunidade LGBTQIAPN+, afirmando que seus integrantes "só enxergam a vida pela lente do fiofó". Na mesma ocasião, ele atacou o Carnaval de Salvador, classificando a festa como "Sodoma e Gomorra".
Na política, Netinho filiou-se ao Partido Liberal (PL) e concorreu ao cargo de deputado federal nas eleições de 2022, mas não obteve votos suficientes para se eleger. Anteriormente, o cantor entrou em disputa pública com o compositor Manno Góes após a utilização da música "Milla" em um ato de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro.

