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Zuenir Ventura, mestre do jornalismo e da literatura, morre aos 95 anos

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Zuenir Ventura, mestre do jornalismo e da literatura, morre aos 95 anos - celebridades news

O jornalista, escritor e acadêmico Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era membro. Ventura, que sofria de pneumonia, deixa a esposa Mary Ventura e os filhos Elisa e Mauro.

Reações e homenagens

A notícia da morte de Zuenir Ventura gerou comoção entre colegas de profissão e personalidades da cultura. A atriz Fernanda Torres compartilhou uma foto ao lado do jornalista, publicada por Andréia Sadi, e expressou seus sentimentos à família. A jornalista Leilane Neubarth lamentou a perda, referindo-se a ele como "Mestre Zu, tão amado, segue em paz e na luz!".

A Academia Brasileira de Letras emitiu um comunicado solene, ressaltando a imensurável contribuição de Ventura para o país. Merval Pereira, presidente da ABL, descreveu Zuenir como "o jornalista que todos queríamos ser", um espelho para a profissão, destacando sua cultura, generosidade, senso de humor refinado e genialidade.

Trajetória profissional e acadêmica

Nascido em Além Paraíba (MG), em 1º de junho de 1931, Zuenir Ventura mudou-se para Nova Friburgo (RJ) aos 11 anos. Sua carreira no jornalismo começou nos anos 1950, como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna da Imprensa, onde também atuou como correspondente em Paris. Ele era bacharel e licenciado em letras neolatinas pela Universidade do Brasil (atual UFRJ) e também lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ.

Ao longo de mais de seis décadas, Ventura construiu uma obra marcada pela cobertura de episódios políticos e temas sociais relevantes do Brasil. Ele passou por veículos importantes como Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, Veja, IstoÉ e Visão, ocupando cargos de editor, diretor de redação e chefe de reportagem. Zuenir foi pioneiro na aplicação de recursos literários ao texto jornalístico no Brasil, alinhado ao movimento New Journalism.

Em 2008, Zuenir Ventura recebeu um troféu especial da ONU por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país nos 30 anos anteriores. Em 2010, foi eleito "O jornalista do ano" pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. A revista The New York Review of Books o classificou como "um dos maiores jornalistas do Brasil", e a inglesa The Economist como "um dos jornalistas que melhor observam o Brasil".

Legado literário e reconhecimento

Zuenir Ventura é autor de obras seminais que se tornaram referências para a compreensão da história brasileira. Seu livro "1968 — O Ano que Não Terminou", publicado em 1988, reconstrói os eventos políticos e culturais de um dos anos mais intensos da história do país, inspirando inclusive uma minissérie da TV Globo. O livro já teve 48 edições e vendeu mais de 400 mil exemplares, segundo a ABL.

Outra obra de destaque é "Cidade Partida", livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem e foi traduzido na Itália. Ventura também abordou o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes em "Chico Mendes: Crime e Castigo" e em uma série de reportagens premiadas com o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog em 1989.

Seu trabalho também se estendeu ao cinema, como codiretor do documentário "Um dia qualquer" e roteirista de "Paulinho da Viola: meu tempo é hoje". Livros mais recentes incluem "Minhas histórias dos outros, 1968 - o que fizemos de nós" e "Conversa sobre o tempo", com Luis Fernando Verissimo. Seu último lançamento foi o romance "Sagrada Família".

Em 2026, sua trajetória foi celebrada com o documentário "Mestre Zu", dirigido por Zelito Viana, que reuniu depoimentos de personalidades como Cacá Diegues, Miriam Leitão e Nelson Motta. Na ocasião, Viana afirmou que, para Zuenir, o jornalismo "era uma maneira de ser".

Academia Brasileira de Letras

Zuenir Ventura foi eleito para a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna. Ele tomou posse em 6 de março de 2015, sendo recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli. A ABL informou que o velório será realizado em sua sede, no Rio de Janeiro, e o sepultamento ocorrerá no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista.

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