Enviados dos EUA chegam a Kiev para apresentar proposta de paz
Os enviados dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, chegaram este domingo de manhã a Kiev para se reunirem com o Presidente Volodymyr Zelensky. O objetivo da visita é apresentar uma proposta para pôr fim ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia e retomar as negociações de paz.
Esta é a primeira visita dos dois representantes norte-americanos à capital ucraniana. A reunião teve início ao início da tarde em Kiev, conforme anunciado pelo líder ucraniano.
A declaração foi feita por Zelensky através de uma mensagem nas redes sociais, publicada pelas 14h20 locais, acompanhada por um vídeo que mostra a chegada dos enviados do Presidente Donald Trump.
O gabinete da Presidência da Ucrânia, via Telegram, comunicou o seguinte:
Os emissários da Casa Branca foram recebidos na estação ferroviária de Kiev pela equipa negocial ucraniana, que incluía:
- Kirilo Budanov, chefe de gabinete;
- Rustem Umerov, chefe do serviço de inteligência externa;
- David Arajamia, líder do partido Servo do Povo no Parlamento;
- Serguí Kislitsia, primeiro vice-chefe da administração presidencial.
Antes da chegada a Kiev, Kushner e Witkoff estiveram em Moscovo no sábado, onde participaram num encontro de três horas com o Presidente russo, Vladimir Putin. Kushner, genro do Presidente norte-americano, e Witkoff, empresário próximo de Donald Trump, já realizaram várias reuniões com autoridades russas.
Zelensky mencionou a possibilidade de os enviados terem viajado diretamente de Moscovo para Kiev por via aérea, mas denunciou que a Rússia bombardeou os dois aeroportos de Kiev com o intuito de impedir essa opção, dado que o espaço aéreo permanece fechado desde o início do conflito.
Posicionamento da Ucrânia e contexto diplomático
Para preparar o encontro, Zelensky reuniu-se na noite anterior com a sua equipa negocial. Através da rede social X, o chefe de Estado ucraniano afirmou estar pronto para as negociações e reiterou a intenção de alcançar o fim da guerra. Zelensky afirmou que a Ucrânia apresentará propostas concretas, defendendo uma paz duradoura que inclua garantias de segurança e condições dignas para o período pós-conflito.
As negociações ocorrem num período de pressão diplomática. Desde a sua reeleição no início de 2025, Donald Trump tem iniciado diversas rondas de negociações para tentar resolver a guerra iniciada pela invasão russa em 24 de fevereiro de 2022, descrita como a mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Até ao momento, estas tentativas não produziram progressos concretos.
Violação de cessar-fogo e ataques militares
Na sexta-feira, Trump anunciou que Witkoff e Kushner viajariam para Moscovo e Kiev este fim de semana para reavivar as conversações. Em consequência, os dois países anunciaram um cessar-fogo entre sábado e segunda-feira, embora as hostilidades tenham continuado.
A Força Aérea ucraniana informou que, na noite de sábado, as forças russas atacaram a Ucrânia com 108 drones e mísseis S8000 Banderol. Apesar de a Ucrânia alegar ter abatido a maioria, onze localidades foram atingidas. Por outro lado, o exército russo afirmou ter neutralizado 258 drones ucranianos lançados contra a Rússia durante a noite.
As autoridades locais reportaram os seguintes incidentes:
- Pelo menos três civis ficaram feridos na Ucrânia durante ataques aéreos entre a noite de sábado e a manhã de domingo;
- Na região russa de Belgorod, um homem morreu e uma mulher ficou ferida num ataque com drone ucraniano contra um veículo.
