Economia é a principal barreira para o entretenimento no Brasil, afirma VP do Rock in Rio
A vice-presidente da Rock World, Roberta Medina, afirmou que a instabilidade macroeconómica e a desvalorização da moeda são os principais obstáculos para que o Brasil se consolide como um mercado prioritário para a indústria global de entretenimento ao vivo.
Segundo Medina, a falta de previsibilidade cambial dificulta o investimento de grandes grupos internacionais em turnês, que exigem planeamento de médio e longo prazo. "Se a economia é instável, o investidor tem dificuldade, porque como é que você vai competir numa contratação internacional com um mercado de moeda estável, se você tem que pagar cinco vezes mais?", questionou a executiva.
Impacto económico do Rock in Rio 2026
A edição de 2026 do festival deverá gerar um impacto económico de R$ 3,36 bilhões no Brasil, de acordo com projeções da Fundação Getulio Vargas (FGV). O valor representa um crescimento face aos R$ 2,65 bilhões registados em 2017. A operação deve envolver:
- 33,9 mil postos de trabalho totais (22,8 mil diretos e 11,1 mil indiretos);
- Um retorno de R$ 6,59 para a economia brasileira para cada R$ 1 investido na realização do festival.
A executiva sublinhou que 50% do público do evento provém de fora do estado do Rio de Janeiro, impactando setores como hotelaria, restauração e transportes.
Modelo de negócio e gestão de risco
O modelo de receita do Rock in Rio divide-se atualmente em aproximadamente 50% de bilheteira e 50% de patrocínio. Medina referiu que a estrutura de patrocínio ajuda a reduzir o risco financeiro e permite investimentos em inovação.
Relativamente à operação, foram destacadas medidas de segurança e conforto térmico, como o aumento de bebedouros e a disponibilização de áreas de sombra para lidar com temperaturas elevadas, além de protocolos para ventos e descargas elétricas.
A Rock World prepara também uma mudança de liderança para 2026, com a saída de Luis Justo do cargo de CEO e a chegada de Ronaldo Pereira.

